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Países reagem a declarações de Trump contra comunicado final de Cúpula do G7

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A decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar o apoio americano ao comunicado final da cúpula do G7 por meio uma mensagem no Twitter, provocou reações da França e da Alemanha neste domingo (10), e minou o que já parecia ser um frágil consenso sobre a disputa comercial entre os Estados Unidos e seus principais aliados.

“Em questão de segundos, você consegue destruir o sentimento de confiança com apenas 280 caracteres de Twitter”, disse o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, acrescentando que a resposta da Europa deve ser de união ainda maior.

Já o governo francês afirmou que “a cooperação internacional não pode depender de ataques de raiva e palavras mesquinhas: sejamos sérios e dignos de nossos povos”, segundo a Rádio França Internacional (RFI).

Para entender a reviravolta na cúpula do G7

  • Canadá, Japão, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, EUA participaram de reunião em Quebec (Canadá), entre sexta (8) e sábado (9);
  • Trump saiu antes da divulgação do documento conjunto final;
  • Premiê canadense, Justin Trudeau, que presidia reunião, anunciou que os países concordaram em fazer esforços para reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias no comércio mundial;
  • Líder canadense fez fortes críticas às tarifas sobre o aço e alumínio aplicadas pelos EUA e chamou as sobretaxas de um “insulto”;
  • Trump discordou do tom das declarações de Trudeau para jornalistas, chamou o premiê de “desonesto e fraco” e orientou seu representante na cúpula a não assinar;
  • França e Alemanha criticaram atitude do presidente americano.
Premiê canadense, Justin Trudeau (à direita), presidiu o encontro dos líderes do G7 (Foto: Adam Scotti/Prime Minister's Office/Handout via REUTERS)

Premiê canadense, Justin Trudeau (à direita), presidiu o encontro dos líderes do G7 (Foto: Adam Scotti/Prime Minister’s Office/Handout via REUTERS)

Trump chamou Trudeau de fraco e desonesto

Trump deixou o encontro de líderes do G7 (formado por Canadá, Japão, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, EUA) antes de discutir a mudança climática e a saúde dos oceanos, exacerbando as fraturas do grupo. Durante o encontro, o americano ameaçou deixar de fazer comércio com aqueles países que mantenham tarifas às exportações americanas, exigindo que o bloco europeu e o Canadá eliminem barreiras contra a entrada de produtos dos EUA.

O comunicado final, já sem a presença de Trump na cúpula, citou esforços em reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias no comércio mundial, além de diminuir subsídios. O consenso foi anunciado pelo primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, que presidiu dois dias de discussões.

Em uma tentativa de apaziguar os ânimos, a carta também se comprometeu a “modernizar” a Organização Mundial do Comércio (OMC) para torná-la “mais justa o mais rápido possível”.

No entanto, o “consenso” durou pouco. Trump chamou o líder canadense de fraco e desonesto, e pediu a seus representantes para que não assinem a carta.

“Baseado nas falsas declarações de Justin em sua conferência de imprensa e em que o Canadá cobra tarifas enormes a nossos fazendeiros, trabalhadores e companhias, ordenei a nossos representantes não apoiarem o comunicado”, tuitou Trump do avião que o leva a Singapura.

O anúncio de retirada de apoio ao documento final aconteceu após Trudeau fazer fortes críticas às sobretaxas sobre o aço e alumínio aplicada pelos EUA recentemente. Segundo o primeiro-ministro do Canadá, trata-se de um “insulto” que provocará retaliação a partir do próximo mês.

“É com pesar, mas com absoluta clareza e firmeza, que avançaremos com medidas retaliatórias em 1º de julho, aplicando tarifas equivalentes àquelas que os americanos aplicaram injustamente a nós”, afirmou o anfitrião da conferência, a jornalistas.

“Nós canadenses somos educados, somos razoáveis, mas também não seremos maltratados”

Na sequência, Trump reiterou a ameaça de impor tarifas “aos carros que inundam o mercado americano”, uma decisão que aponta inicialmente para a Alemanha, outro membro proeminente do G7.

Reagindo aos comentários de Trump, o gabinete de Trudeau disse que o primeiro ministro “não disse nada que não havia dito antes – tanto em conversas públicas quanto privadas com o presidente”.

Clima tenso na cúpula

Em entrevista coletiva, antes de deixar a cúpula, Trump ainda tentou manter um “tom conciliador”, chegando a propor uma zona de livre comércio entre os países do G7 e da União Europeia em uma tentativa de responder às acusações de que seria protecionista por impor sobretaxas ao aço e ao alumínio.

O clima tenso da cúpula do G7 deste ano, entretanto, foi ilustrado em uma série de fotos. Uma delas mostra o presidente sentado, com os braços cruzados, olhando com um leve sorriso em direção à chanceler federal alemã, Angela Merkel, e ao presidente francês, Emmanuel Macron, que estavam atrás de uma pesa e pareciam tentar convencê-lo, como destacou a Deutsche Welle.

Trump irritou seus parceiros do G7 com sua agenda “América Primeiro” e prometeu se manter firme até que os produtos norte-americanos tivessem acesso “justo” aos mercados.

Premiê canadense, Justin Trudeau, e presidente americano, Donald Trump, durante encontro na sexta-feira (8)  (Foto: Christinne Muschi/ Reuters)

Premiê canadense, Justin Trudeau, e presidente americano, Donald Trump, durante encontro na sexta-feira (8) (Foto: Christinne Muschi/ Reuters)

O líder americano vem causando constrangimento aos parceiros antigos não só no comércio. Trump retirou os EUA de acordos internacionais, como o pacto nuclear com o Irã – fechado em 2015 com China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha – e o Acordo de Paris sobre mudança climática – assinado por quase 200 países.

França

Em nota, o governo francês afirmou que “a cooperação internacional não pode depender de ataques de raiva e palavras mesquinhas: sejamos sérios e dignos de nossos povos”, segundo a Rádio França Internacional (RFI).

A nota do palácio do Eliseu denuncia a “incoerência” e a “inconsistência” de Trump. “Nós passamos dois dias negociando para concluir um texto e compromissos. Vamos permanecer ligados a ele, e qualquer um que der as costas [ao comunicado conjunto] mostra sua incoerência e inconsistência”, afirma o Palácio do Eliseu em seu comunicado.

“A França e a Europa continuam a apoiar este comunicado, como esperamos de todos os membros signatários”, concluiu.

Especialistas franceses veem na atitude imprevisível de Trump um jeito dele reforçar seu cacife e exibir força para a cúpula de Singapura com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, além de rebaixar os aliados.

Líderes posam para foto em encerramento da reunião de cúpula do G7 no Canadá, no sábado (9) (Foto: Yves Herman/Reuterd)Líderes posam para foto em encerramento da reunião de cúpula do G7 no Canadá, no sábado (9) (Foto: Yves Herman/Reuterd)

Alemanha

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, acusou Trump neste domingo de “destruir a confiança” ao retirar o apoio americano ao comunicado.

“Em questão de segundos, você consegue destruir o sentimento de confiança com apenas 280 caracteres de Twitter. Agora é ainda mais importante que a Europa se mantenha unida e que defenda com mais clareza seus interesses”, afirmou.

“Na verdade, isso não é uma surpresa, pois já havíamos visto esse mesmo comportamento na ocasião do acordo do clima ou do Irã”, disse Maas.

China

O presidente da China, Xi Jinping, que enfrenta uma disputa comercial acirrada com os Estados Unidos, também se manifestou neste domingo (10), dizendo que a China rejeita “políticas comerciais egoístas e míopes” e pediu pela construção de uma economia global aberta. Porém, não fez referência direta ao encontro do G7.

Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, ironizou “o falatório criativo” dos países do G7 e os convidou a “se concentrar nas questões concretas próprias de uma verdadeira cooperação”.

Durante a cúpula, o G7 pediu à Rússia que pare com suas tentativas de “minar os sistemas democráticos” e rejeitou uma proposta de Trump de reintegrar o país ao grupo.

A Rússia foi excluída após a sua anexação da Crimeia em 2014, condenada como um ataque à soberania da Ucrânia.

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