Ceará

Moradores do bairro Cohab, em Itapipoca, são novamente atingidos por enchente

A Prefeitura do Município realizou uma reunião na manhã desta quinta-feira (11) com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil para decidirem as medidas que serão tomadas

A chuva intensa durou cerca de cinco horas, segundo os moradores, na cidade de Itapipoca, no Litoral Norte do Ceará. Conhecida como “cidade dos três climas”, o município acordou embaixo de fortes precipitações na manhã desta quinta-feira (11). Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), choveu 122.6 milímetros de 7h nesta quarta-feira às 7h desta quinta.

Esta já é a terceira vez, somente neste ano, que a rua Pedro Moreira Braga, no bairro Cohab, em Itapipoca, sofre com as fortes chuvas. Na madrugada desta quarta-feira (10), outra enchente atingiu as famílias do bairro. “Nesta última vez a chuva veio forte e o nível da água ficou mais alto. Este riacho das Almas recebeu água de vários locais, além do Açude Poço Verde, que está cheio. A água escoa toda para essa rua”, relatou o morador Jonatas dos Santos.

Valdenice da Silva Gonçalves estava há 15 dias no salão pastoral da Igreja São Francisco, que estava servindo de um abrigo para parte da população. Aproximadamente 45 pessoas estavam abrigadas no local desde a última enchente, ocorrida no 31 de março. “Ontem tivemos uma reunião com a prefeitura, que disse que a área estava segura e que podíamos voltar, que não tinha perigo de enchente. Voltei por volta das cinco horas e quando deu umas oito da noite a chuva começou. Fiquei preocupara, a água começou a alagar tudo e faltou energia. Foi um terror”, lembra a dona de casa.

Morando junto com o irmão e os três filhos, o mais velho com sete anos de idade, a indignação de Valdenice é ainda maior por as autoridades terem garantido que eles podiam voltar para a casa em segurança. “Perdi as minhas coisas, graças a Deus meus filhos estão vivos. Vou atrás dos meus direitos”, ressaltou. A moradora vai em busca agora do aluguel social.

Afetados

“Perdi tudo. Só escapou o fogão, porque não foi atingido pela água, mas até meu carvão, que uso para cozinhar no fogareiro foi embora”, relata a dona de casa Francisca Samara. Ela foi uma das últimas a sair de casa. Francisca estava dormindo e acordou “já debaixo d’água”, conforme lembra. Despertada pelo cachorro, Samara teve a ajuda do marido para sair da residência. Eles buscaram abrigo na casa da sogra de Francisca.

Analicia Gonçalves, que está grávida e tem uma filha de quatro ano, também passou por momentos difíceis durante a madrugada. Ela e o marido tiveram a casa invadida pela água, mesmo com um degrau na porta de casa construído para tentar impedir a entrada da água, a medida não adiantou.

Medidas

Durante a manhã desta quinta-feira (11) a prefeitura do Município se reuniu com órgãos como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros em um gabinete de crise “para tomar as devidas medidas, encontrar uma maneira viável e emergencial para tratar o assunto”, afirmou o secretário de Infraestrutura de Itapipoca, Everardo Barroso.

“Após a reunião, vamos in loco ver tudo”, explicou Barroso. “Não podemos esquecer que nossa cidade foi instalada no Sopé de uma serra, então passa por dentro da cidade vários córregos e quando existe uma chuva torrencial, como aconteceu nesta madrugada, é claro que enche tudo”.

“Nós estamos enfrentando uma situação muito difícil, só esse ano choveu mais de 1300 milímetros ou mais. É uma situação crítica para nossa região. Estamos encontrando dificuldades na questão de recursos para acolher essas pessoas. Hoje tem um projeto de lei sendo encaminhado para que a câmara autorize o prefeito a contratar o aluguel social, para beneficiar todas as famílias”, explicou o vice-prefeito e coordenador do gabinete de crise, Edísio Pacheco.

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